Bem-vindos

Este blog é um convite a olharmos, a sentirmos, a sermos tocados por aquilo que nos incide. Especialmente a luz, e toda a metáfora que ela carrega. A fotografia é a descoberta do registro, da gravura com a luz, e assim ela possibilitou a magia de dividir nossos olhos com outros, aquilo que estava oculto em nossa mente, tornando o invisível visível e compartilhado. A luz nos toca de várias maneiras e espero que nos deixemos ser tocados pela luz em toda a sua totalidade, na pele e na alma.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por uma sociedade mais justa ?

Segundo o dicionário, a justiça é a virtude que consiste em dar ou deixar a cada um o que por direito lhe pertence. E assim, conforme o mesmo dicionário uma sociedade mais justa seria uma cujo senso de justiça está presente,ou seja, onde todos tem acesso ao que lhes é de direito. Ou no outro significado de justa, seria uma sociedade mais apertada.
E bem provável que seja isto que estejam pregando os diversos políticos e candidatos que falam de uma sociedade mais justa, e nós meros inocentes mortais não estamos entendendo, acreditando que eles querem uma sociedade com direitos e deveres iguais. Portanto, quem promove a sociedade mais justa (apertada) não está sendo desonesto ou mentiroso. Nós é que não entendemos a ambiguidade. E realmente a sociedade está cada vez mais justa, tanto que muitos de nós não estamos cabendo nelas. Não só as pessoas, mas a educação, a saúde, a moradia, etc.
O slogan de uma sociedade mais justa se enquadra em todos os partidos e discursos. Mas vamos pensar se as atitudes políticas engajadas nesse discurso estão querendo mais democracia ou mais aperto? O que foi feito durante esses, digamos quinhentos e poucos anos, para que o acesso igualitário e digno aos bens básicos e fundamentais de qualquer ser humano seja efetivamente alcançado? E para que não haja dúvidas, por que algumas pessoas excelentíssimas podem confundir, acesso à saúde não é chegar a um hospital, esperar horas para ser atendido, acabar sendo assistido por outro profissional que não seja um médico (pois este já desistiu de não ter condições de trabalho), ouvir que tem uma virose e sair do hospital com o saldo de mais uma infecção por contágio pelas horas que ficou esperando e exposto. Acesso à educação não é conseguir um lugar para depositar o filho por meio período ou no ansiado período integral, com professores mal remunerados e sobrecarregados de trabalho e de supostas responsabilidades, em que se esse estudante conseguir terminar a oitava série e alfabetizado ele se formará com mérito. Acesso à alimentação não é ganhar esmolas do que sobra de salários de deputados.
Se a sociedade for realmente mais justa, no sentido de justiça, muitos que pregam o outro sentido da palavra terão que cair de seus pedestais. Se todos puderem se alimentar, ter saúde e tempo para pensar, além de sobreviver, muita coisa não fará sentido do jeito que está. Se houver alguma justiça, muita gente terá que sair do lugar onde está.
É muito fácil culpar um povo que não sabe votar, se nenhuma condição lhes foi dada para saber. É muito fácil condenar a compra de votos por um pedaço de pão quando não se passa fome. Mas se há fome e não há educação como pode se ousar dizer que existe democracia.
Nenhuma ditadura foi mais eficiente do que essa educação de fachada. A escravidão mais bem pensada é essa que prende com as grades curriculares. Essa educação que diz alcançar a todos não chegou nem na porta das escolas.
Mas o discurso de democratização tem fórmulas muito inteligentes para parecer verdadeiro. Primeiro, toma-se medidas paliativas para “mostrar serviço”, mas que na verdade não permitem a verdadeira pedagogia da autonomia, pois não se mexe nas bases. Depois, encontra-se alguém para colocar a função de salvador da humanidade, para posteriormente crucificá-lo, já que este não consegue cumprir esse papel, no caso, seria o professor. Somando as medidas paliativas e a “incapacidade” do professor temos como resultado da fórmula, um governo perfeito e garantia se sua continuidade por décadas.
E assim, temos a permanência da política do café com leite. Aperfeiçoada para a merenda, para o refeitório e para a janta. Temos o pão, o circo e os palhaços em sala de aula.
Faz-se acreditar que a população é uma massa inerte e amorfa. Mas não somos inertes, estamos anestesiados e sucumbidos por não ter acesso ao básico.
A educação é a base de uma sociedade com mais justiça, porém o modo como ela se dá hoje é o motor da máquina da injustiça.