A mídia, a população e outros políticos se mostram revoltados com as declarações preconceituosas ditas pelo deputado ELEITO Jair Bolsonaro, durante uma entrevista para um programa de televisão. Mas quantos Bolsonaros existem espalhados ou disfarçados por ai?
Essa semana, li em um jornal uma pessoa justificando Bolsonaro, afirmando que o problema do Brasil é que nesse país não existe liberdade de expressão, mas acho que esse cidadão, vamos assim dizer, esta confundindo liberdade de expressão com liberdade de discriminação.
Algumas pessoas adquiriram a incrível capacidade de serem totalmente hipócritas, e tentam disfarçar seus preconceitos publicamente, geralmente com a finalidade de se aproveitarem das pessoas as quais discriminam. Sem julgar se isso é melhor ou pior, o fato é que essas pessoas sabem, mesmo que bem no fundo, da falha cometida ao se demonstrar preconceito. O que não é o caso do nosso excelentíssimo deputado em questão. Que não consegue discernir ou perceber a condição mínima necessária para ser humano, a capacidade de viver juntos, e partilhar saberes, culturas, diferenças sem o perigosíssimo achismo de superioridade de alguma raça, crença, classe, etc. Mas não quero cometer aqui o mesmo erro e julgar. Só gostaria que pessoas não sofressem qualquer tipo violência por sua condição sexual, religiosa, por sua cor, etc. Que na escola, o “diferente” não fosse excluído por ser mais diferente, entre tantos que nada tem de iguais. Que mulheres ainda possuam salários menores do que os homens para o mesmo cargo, que um índio não fosse queimado por estar dormindo na rua e que nada acontecesse com os culpados.
Pior do que ouvir as declarações de Bolsonaro, é saber que ele representa, e pela segunda vez, milhões de pessoas que todos os dias mostram sua ignorância, nem posso chamar de intolerância, pois os homossexuais não precisam ser tolerados, e sim respeitados.
Hoje, ouvi no ônibus dois jovens conversando, dizendo que “queriam bater naquele bicha”. Dois jovens que já são tão velhos quanto os seus preconceitos. Esses mesmos jovens num curto espaço de tempo falaram mal desse colega, de uma “loira burra” e outro “emo babaca” que estuda com eles. É impressionante quantos julgamentos são feitos por duas pessoas que nasceram e não viraram seres humanos.
É tão fácil excluir o colega tímido, tão fácil ofender, machucar, marginalizar e julgar. Quantos julgamentos existem sem ter nenhum condenado? Quantos milênios de civilização sem nenhuma união. Quantas mortes ainda ocorrerão por consequência infeliz ideia de que há alguém que vale mais do que outro alguém?
Hoje, também ouvi alguém dizer que ninguém nasce ser humano, torna-se ser humano. E embora o índice de natalidade continue crescente, o ser humano está se tornando uma espécie em extinção. As pessoas nascem e no decorrer da vida se transformam em outra coisa que não pode ser chamada humana. Ou então, o humano é o que não deveria ser. Todos os dias jornais mostram monstros que desviam verbas da saúde e da educação, que não se importam com nada que ultrapasse os limites do contorno de sua pele.
Mas a história sempre se repete em outros tempos e cenários. Pequenos e grandes julgamentos nos condenam a constantes penas de morte.
A luz que nos incidi é aquela que nos toca e nos sensibiliza, deixando visões que nos iluminam na mais pura metáfora.
Bem-vindos
Este blog é um convite a olharmos, a sentirmos, a sermos tocados por aquilo que nos incide. Especialmente a luz, e toda a metáfora que ela carrega. A fotografia é a descoberta do registro, da gravura com a luz, e assim ela possibilitou a magia de dividir nossos olhos com outros, aquilo que estava oculto em nossa mente, tornando o invisível visível e compartilhado. A luz nos toca de várias maneiras e espero que nos deixemos ser tocados pela luz em toda a sua totalidade, na pele e na alma.