Bem-vindos

Este blog é um convite a olharmos, a sentirmos, a sermos tocados por aquilo que nos incide. Especialmente a luz, e toda a metáfora que ela carrega. A fotografia é a descoberta do registro, da gravura com a luz, e assim ela possibilitou a magia de dividir nossos olhos com outros, aquilo que estava oculto em nossa mente, tornando o invisível visível e compartilhado. A luz nos toca de várias maneiras e espero que nos deixemos ser tocados pela luz em toda a sua totalidade, na pele e na alma.

sábado, 19 de março de 2011

De Pessoa pra pessoa

Fernando Pessoa escreveu em um de seus desassossegos que se pudesse o coração pensar, ele pararia. Talvez por isso tenhamos, nessa tal pós-modernidade, tantos corações que se esquecem de bater, tanta morte em plena vida. “Alheios à solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano”, assim Pessoa já observava, há cem anos, a pressa desmedida para não se chegar a lugar algum.
A vida se torna uma esteira rolante que se move por inércia em um movimento contínuo e uniforme, envolta de uma paisagem que é a “cinematografia das horas representadas” e tudo que nos aproxima da paisagem, nos afasta da produção em série de seres enlatados.
Por isso, olhar a paisagem é extramente perigoso para quem não consegue se enquadrar.
Perceber que não é você quem anda, mas a esteira que se move, pode gerar tentativas de fuga, e rótulos que evidenciem o produto danificado, também chamado de : loucos, insanos, artistas, poetas, marginais, etc.
Fernando dizia que toda obra exige a imperfeição. Toda arte abre, amplia, provoca. Mas a perfeição esta hoje na promoção, anunciada, montada e criada, para que a esteira continue a rodar, para o lugar algum chegar.
Tudo nos é alheio, por nos ser alienado, terceirizado. Tudo nos toca, mas nada nos penetra, nada do que nos é invisível. Somos penhascos, cada um de nós, cercados de abismos, ligados por redes de linhas virtuais de impressões alheias. Somos todos olhados, sem ninguém nos ver. Somos nossos próprios espectadores, obcecados em aparecer tornamo-nos cegos pelo excesso de luz que quer se fazer brilhar.