A luz que nos incidi é aquela que nos toca e nos sensibiliza, deixando visões que nos iluminam na mais pura metáfora.
Bem-vindos
Este blog é um convite a olharmos, a sentirmos, a sermos tocados por aquilo que nos incide. Especialmente a luz, e toda a metáfora que ela carrega. A fotografia é a descoberta do registro, da gravura com a luz, e assim ela possibilitou a magia de dividir nossos olhos com outros, aquilo que estava oculto em nossa mente, tornando o invisível visível e compartilhado. A luz nos toca de várias maneiras e espero que nos deixemos ser tocados pela luz em toda a sua totalidade, na pele e na alma.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Se justiça é matar, então qual é o crime?
As notícias de hoje fizeram-me pensar um pouco sobre a história da humanidade, e se em todo o seu decorrer podemos falar em avanços, evolução, ou em mudanças e adequações. Quando ouvi a notícia sobre um homem, dependente químico, que sofreu maus tratos quando foi internado em uma clínica de reabilitação, lembrei-me do livro “A história da loucura” de Michel Foucault, que conta como a sociedade resolve tratar o que considera anormal, ou diferente, ao longo da história, e percebi que embora “os loucos” não sejam mais isolados em navios condenados a nunca ancorarem, pessoas que não entram nas formas sociais ainda são colocados à terceira margem. Eletrochoques não são mais usuais, mas choques culturais ainda ferem e matam.
Ao ver a notícia das gêmeas siamesas que nasceram unidas pela cabeça e separadas por uma cirurgia de alto risco, porém bem sucedida, fiquei feliz ao avaliar o que a medicina consegue atingir no século XXI, e por não ter que tirar meu terceiro molar sem anestesia ou ter que fazer uma intervenção cirúrgica banhada a vodka e clorofórmio. Mas ao mesmo tempo, deparo-me com a notícia de que após nove horas esperando atendimento, e depois de percorrer seis hospitais um homem consegue finalmente atendimento e é internado em estado grave. Vejo, então, que todos os avanços do século XXI, não atingem os trinta e cinco anos da vida de uma pessoa de classe econômica menos favorecida.
De todas as notícias apocalípticas que ouvi hoje, a mais absurda e indignante de todas foi esta última, a de que o americano Troy Davis, teve nesta quarta-feira seu último recurso negado e deve ser executado nas próximas horas pelo estado da Geórgia, mesmo não havendo provas materiais que vinculem Davis ao crime. O ano é 2011, e uma pessoa, culpada ou inocente, é condenado a não ter futuro, a não ter esperança, a esperar a sua morte, e a (des)esperar qualquer certeza, e não deve haver desespero maior do que ter hora marcada para morrer, não por uma doença, mas por uma decisão de pessoas que acham ter poder sobre a vida. Se o erro desse homem foi matar, por que, então, quem decide por sua morte também não deve ser morto? Ou a morte de uma pessoa é mais morte do que a morte de outra? Não há nada mais contraditório e primitivo do que matar alguém por algum sentido de justiça. Isso não pode nem ser chamado de animalesco, pois animais não são tão “selvagens” e muito menos de divino. É vergonhoso em milênios de humanidade, existir essa remanescência de tudo o que houve de pior nela. Nos EUA, pelo menos 360 pessoas condenadas à morte, entre 1900 e 1985, conseguiram provar a sua inocência, só que para 25 delas a inocência foi provada tarde demais. No Canadá, o índice de criminalidade em 1993 diminuiu em 27% depois que a pena de morte foi abolida, o que não se verificava nos anos em que a pena de morte ainda vigorava. Desde 1990 mais de 50 países aboliram a pena capital para todos os crimes, mas em 2006 pelo menos 1.591 prisioneiros foram executados em 25 países e 3.861 pessoas foram sentenciadas à morte em 55 países (fonte: Anistia Internacional).
Voltamos então ao Código de Hamurabi, ao olho por olho e dente por dente, só que quatro mil anos depois. E mesmo assim considerando a “melhor” das hipóteses, a de que Troy Davis, é culpado, pois na hipótese mais provável um inocente será condenado a morte. E em um estado onde ainda existe pena de morte não sei o que é pior, morrer inocente ou sobreviver à ignorância sobre a vida.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Insustentável leveza
Minha leveza de ser, é cheia de (a)pesar
Levo tudo o que me pesa
E deixo tudo me levar
Esse meu peso de ser, é um leve relevar
Ora piso este caminho
Ora revelo um caminhar
Pluma sem o vento
Sinto o peso de ter pena
E de todo meu penar
Não sei se santa ou leviana,
Se sustento essa leveza
E carrego meu pesar
Levo tudo o que me pesa
E deixo tudo me levar
Esse meu peso de ser, é um leve relevar
Ora piso este caminho
Ora revelo um caminhar
Pluma sem o vento
Sinto o peso de ter pena
E de todo meu penar
Não sei se santa ou leviana,
Se sustento essa leveza
E carrego meu pesar
quinta-feira, 2 de junho de 2011
UM DIA DESSES
Um dia desses, me tomo de uma dessas insanidades
Que querem me tomar,
Me encho de qualquer serenidade
Que queira me castrar
Aceito a fiança que uma psicose
Queria me pagar
Um dia desses, desisto de qualquer convenção
Que não faça eu me encontrar
E me declaro Joana D’Arc
Para não me incendiar
Um dia desses, chamo verdade a ilusão
Para não ter que me enganar
Me afago de fobias
Para nunca mais me apavorar
Um dia desses paro de procurar
Algum sentido na vida
E deixo a vida me achar
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Por uma sociedade mais justa ?
Segundo o dicionário, a justiça é a virtude que consiste em dar ou deixar a cada um o que por direito lhe pertence. E assim, conforme o mesmo dicionário uma sociedade mais justa seria uma cujo senso de justiça está presente,ou seja, onde todos tem acesso ao que lhes é de direito. Ou no outro significado de justa, seria uma sociedade mais apertada.
E bem provável que seja isto que estejam pregando os diversos políticos e candidatos que falam de uma sociedade mais justa, e nós meros inocentes mortais não estamos entendendo, acreditando que eles querem uma sociedade com direitos e deveres iguais. Portanto, quem promove a sociedade mais justa (apertada) não está sendo desonesto ou mentiroso. Nós é que não entendemos a ambiguidade. E realmente a sociedade está cada vez mais justa, tanto que muitos de nós não estamos cabendo nelas. Não só as pessoas, mas a educação, a saúde, a moradia, etc.
O slogan de uma sociedade mais justa se enquadra em todos os partidos e discursos. Mas vamos pensar se as atitudes políticas engajadas nesse discurso estão querendo mais democracia ou mais aperto? O que foi feito durante esses, digamos quinhentos e poucos anos, para que o acesso igualitário e digno aos bens básicos e fundamentais de qualquer ser humano seja efetivamente alcançado? E para que não haja dúvidas, por que algumas pessoas excelentíssimas podem confundir, acesso à saúde não é chegar a um hospital, esperar horas para ser atendido, acabar sendo assistido por outro profissional que não seja um médico (pois este já desistiu de não ter condições de trabalho), ouvir que tem uma virose e sair do hospital com o saldo de mais uma infecção por contágio pelas horas que ficou esperando e exposto. Acesso à educação não é conseguir um lugar para depositar o filho por meio período ou no ansiado período integral, com professores mal remunerados e sobrecarregados de trabalho e de supostas responsabilidades, em que se esse estudante conseguir terminar a oitava série e alfabetizado ele se formará com mérito. Acesso à alimentação não é ganhar esmolas do que sobra de salários de deputados.
Se a sociedade for realmente mais justa, no sentido de justiça, muitos que pregam o outro sentido da palavra terão que cair de seus pedestais. Se todos puderem se alimentar, ter saúde e tempo para pensar, além de sobreviver, muita coisa não fará sentido do jeito que está. Se houver alguma justiça, muita gente terá que sair do lugar onde está.
É muito fácil culpar um povo que não sabe votar, se nenhuma condição lhes foi dada para saber. É muito fácil condenar a compra de votos por um pedaço de pão quando não se passa fome. Mas se há fome e não há educação como pode se ousar dizer que existe democracia.
Nenhuma ditadura foi mais eficiente do que essa educação de fachada. A escravidão mais bem pensada é essa que prende com as grades curriculares. Essa educação que diz alcançar a todos não chegou nem na porta das escolas.
Mas o discurso de democratização tem fórmulas muito inteligentes para parecer verdadeiro. Primeiro, toma-se medidas paliativas para “mostrar serviço”, mas que na verdade não permitem a verdadeira pedagogia da autonomia, pois não se mexe nas bases. Depois, encontra-se alguém para colocar a função de salvador da humanidade, para posteriormente crucificá-lo, já que este não consegue cumprir esse papel, no caso, seria o professor. Somando as medidas paliativas e a “incapacidade” do professor temos como resultado da fórmula, um governo perfeito e garantia se sua continuidade por décadas.
E assim, temos a permanência da política do café com leite. Aperfeiçoada para a merenda, para o refeitório e para a janta. Temos o pão, o circo e os palhaços em sala de aula.
Faz-se acreditar que a população é uma massa inerte e amorfa. Mas não somos inertes, estamos anestesiados e sucumbidos por não ter acesso ao básico.
A educação é a base de uma sociedade com mais justiça, porém o modo como ela se dá hoje é o motor da máquina da injustiça.
E bem provável que seja isto que estejam pregando os diversos políticos e candidatos que falam de uma sociedade mais justa, e nós meros inocentes mortais não estamos entendendo, acreditando que eles querem uma sociedade com direitos e deveres iguais. Portanto, quem promove a sociedade mais justa (apertada) não está sendo desonesto ou mentiroso. Nós é que não entendemos a ambiguidade. E realmente a sociedade está cada vez mais justa, tanto que muitos de nós não estamos cabendo nelas. Não só as pessoas, mas a educação, a saúde, a moradia, etc.
O slogan de uma sociedade mais justa se enquadra em todos os partidos e discursos. Mas vamos pensar se as atitudes políticas engajadas nesse discurso estão querendo mais democracia ou mais aperto? O que foi feito durante esses, digamos quinhentos e poucos anos, para que o acesso igualitário e digno aos bens básicos e fundamentais de qualquer ser humano seja efetivamente alcançado? E para que não haja dúvidas, por que algumas pessoas excelentíssimas podem confundir, acesso à saúde não é chegar a um hospital, esperar horas para ser atendido, acabar sendo assistido por outro profissional que não seja um médico (pois este já desistiu de não ter condições de trabalho), ouvir que tem uma virose e sair do hospital com o saldo de mais uma infecção por contágio pelas horas que ficou esperando e exposto. Acesso à educação não é conseguir um lugar para depositar o filho por meio período ou no ansiado período integral, com professores mal remunerados e sobrecarregados de trabalho e de supostas responsabilidades, em que se esse estudante conseguir terminar a oitava série e alfabetizado ele se formará com mérito. Acesso à alimentação não é ganhar esmolas do que sobra de salários de deputados.
Se a sociedade for realmente mais justa, no sentido de justiça, muitos que pregam o outro sentido da palavra terão que cair de seus pedestais. Se todos puderem se alimentar, ter saúde e tempo para pensar, além de sobreviver, muita coisa não fará sentido do jeito que está. Se houver alguma justiça, muita gente terá que sair do lugar onde está.
É muito fácil culpar um povo que não sabe votar, se nenhuma condição lhes foi dada para saber. É muito fácil condenar a compra de votos por um pedaço de pão quando não se passa fome. Mas se há fome e não há educação como pode se ousar dizer que existe democracia.
Nenhuma ditadura foi mais eficiente do que essa educação de fachada. A escravidão mais bem pensada é essa que prende com as grades curriculares. Essa educação que diz alcançar a todos não chegou nem na porta das escolas.
Mas o discurso de democratização tem fórmulas muito inteligentes para parecer verdadeiro. Primeiro, toma-se medidas paliativas para “mostrar serviço”, mas que na verdade não permitem a verdadeira pedagogia da autonomia, pois não se mexe nas bases. Depois, encontra-se alguém para colocar a função de salvador da humanidade, para posteriormente crucificá-lo, já que este não consegue cumprir esse papel, no caso, seria o professor. Somando as medidas paliativas e a “incapacidade” do professor temos como resultado da fórmula, um governo perfeito e garantia se sua continuidade por décadas.
E assim, temos a permanência da política do café com leite. Aperfeiçoada para a merenda, para o refeitório e para a janta. Temos o pão, o circo e os palhaços em sala de aula.
Faz-se acreditar que a população é uma massa inerte e amorfa. Mas não somos inertes, estamos anestesiados e sucumbidos por não ter acesso ao básico.
A educação é a base de uma sociedade com mais justiça, porém o modo como ela se dá hoje é o motor da máquina da injustiça.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Mas quantos Bolsonaros existem por ai?
A mídia, a população e outros políticos se mostram revoltados com as declarações preconceituosas ditas pelo deputado ELEITO Jair Bolsonaro, durante uma entrevista para um programa de televisão. Mas quantos Bolsonaros existem espalhados ou disfarçados por ai?
Essa semana, li em um jornal uma pessoa justificando Bolsonaro, afirmando que o problema do Brasil é que nesse país não existe liberdade de expressão, mas acho que esse cidadão, vamos assim dizer, esta confundindo liberdade de expressão com liberdade de discriminação.
Algumas pessoas adquiriram a incrível capacidade de serem totalmente hipócritas, e tentam disfarçar seus preconceitos publicamente, geralmente com a finalidade de se aproveitarem das pessoas as quais discriminam. Sem julgar se isso é melhor ou pior, o fato é que essas pessoas sabem, mesmo que bem no fundo, da falha cometida ao se demonstrar preconceito. O que não é o caso do nosso excelentíssimo deputado em questão. Que não consegue discernir ou perceber a condição mínima necessária para ser humano, a capacidade de viver juntos, e partilhar saberes, culturas, diferenças sem o perigosíssimo achismo de superioridade de alguma raça, crença, classe, etc. Mas não quero cometer aqui o mesmo erro e julgar. Só gostaria que pessoas não sofressem qualquer tipo violência por sua condição sexual, religiosa, por sua cor, etc. Que na escola, o “diferente” não fosse excluído por ser mais diferente, entre tantos que nada tem de iguais. Que mulheres ainda possuam salários menores do que os homens para o mesmo cargo, que um índio não fosse queimado por estar dormindo na rua e que nada acontecesse com os culpados.
Pior do que ouvir as declarações de Bolsonaro, é saber que ele representa, e pela segunda vez, milhões de pessoas que todos os dias mostram sua ignorância, nem posso chamar de intolerância, pois os homossexuais não precisam ser tolerados, e sim respeitados.
Hoje, ouvi no ônibus dois jovens conversando, dizendo que “queriam bater naquele bicha”. Dois jovens que já são tão velhos quanto os seus preconceitos. Esses mesmos jovens num curto espaço de tempo falaram mal desse colega, de uma “loira burra” e outro “emo babaca” que estuda com eles. É impressionante quantos julgamentos são feitos por duas pessoas que nasceram e não viraram seres humanos.
É tão fácil excluir o colega tímido, tão fácil ofender, machucar, marginalizar e julgar. Quantos julgamentos existem sem ter nenhum condenado? Quantos milênios de civilização sem nenhuma união. Quantas mortes ainda ocorrerão por consequência infeliz ideia de que há alguém que vale mais do que outro alguém?
Hoje, também ouvi alguém dizer que ninguém nasce ser humano, torna-se ser humano. E embora o índice de natalidade continue crescente, o ser humano está se tornando uma espécie em extinção. As pessoas nascem e no decorrer da vida se transformam em outra coisa que não pode ser chamada humana. Ou então, o humano é o que não deveria ser. Todos os dias jornais mostram monstros que desviam verbas da saúde e da educação, que não se importam com nada que ultrapasse os limites do contorno de sua pele.
Mas a história sempre se repete em outros tempos e cenários. Pequenos e grandes julgamentos nos condenam a constantes penas de morte.
Essa semana, li em um jornal uma pessoa justificando Bolsonaro, afirmando que o problema do Brasil é que nesse país não existe liberdade de expressão, mas acho que esse cidadão, vamos assim dizer, esta confundindo liberdade de expressão com liberdade de discriminação.
Algumas pessoas adquiriram a incrível capacidade de serem totalmente hipócritas, e tentam disfarçar seus preconceitos publicamente, geralmente com a finalidade de se aproveitarem das pessoas as quais discriminam. Sem julgar se isso é melhor ou pior, o fato é que essas pessoas sabem, mesmo que bem no fundo, da falha cometida ao se demonstrar preconceito. O que não é o caso do nosso excelentíssimo deputado em questão. Que não consegue discernir ou perceber a condição mínima necessária para ser humano, a capacidade de viver juntos, e partilhar saberes, culturas, diferenças sem o perigosíssimo achismo de superioridade de alguma raça, crença, classe, etc. Mas não quero cometer aqui o mesmo erro e julgar. Só gostaria que pessoas não sofressem qualquer tipo violência por sua condição sexual, religiosa, por sua cor, etc. Que na escola, o “diferente” não fosse excluído por ser mais diferente, entre tantos que nada tem de iguais. Que mulheres ainda possuam salários menores do que os homens para o mesmo cargo, que um índio não fosse queimado por estar dormindo na rua e que nada acontecesse com os culpados.
Pior do que ouvir as declarações de Bolsonaro, é saber que ele representa, e pela segunda vez, milhões de pessoas que todos os dias mostram sua ignorância, nem posso chamar de intolerância, pois os homossexuais não precisam ser tolerados, e sim respeitados.
Hoje, ouvi no ônibus dois jovens conversando, dizendo que “queriam bater naquele bicha”. Dois jovens que já são tão velhos quanto os seus preconceitos. Esses mesmos jovens num curto espaço de tempo falaram mal desse colega, de uma “loira burra” e outro “emo babaca” que estuda com eles. É impressionante quantos julgamentos são feitos por duas pessoas que nasceram e não viraram seres humanos.
É tão fácil excluir o colega tímido, tão fácil ofender, machucar, marginalizar e julgar. Quantos julgamentos existem sem ter nenhum condenado? Quantos milênios de civilização sem nenhuma união. Quantas mortes ainda ocorrerão por consequência infeliz ideia de que há alguém que vale mais do que outro alguém?
Hoje, também ouvi alguém dizer que ninguém nasce ser humano, torna-se ser humano. E embora o índice de natalidade continue crescente, o ser humano está se tornando uma espécie em extinção. As pessoas nascem e no decorrer da vida se transformam em outra coisa que não pode ser chamada humana. Ou então, o humano é o que não deveria ser. Todos os dias jornais mostram monstros que desviam verbas da saúde e da educação, que não se importam com nada que ultrapasse os limites do contorno de sua pele.
Mas a história sempre se repete em outros tempos e cenários. Pequenos e grandes julgamentos nos condenam a constantes penas de morte.
sábado, 19 de março de 2011
De Pessoa pra pessoa
Fernando Pessoa escreveu em um de seus desassossegos que se pudesse o coração pensar, ele pararia. Talvez por isso tenhamos, nessa tal pós-modernidade, tantos corações que se esquecem de bater, tanta morte em plena vida. “Alheios à solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano”, assim Pessoa já observava, há cem anos, a pressa desmedida para não se chegar a lugar algum.
A vida se torna uma esteira rolante que se move por inércia em um movimento contínuo e uniforme, envolta de uma paisagem que é a “cinematografia das horas representadas” e tudo que nos aproxima da paisagem, nos afasta da produção em série de seres enlatados.
Por isso, olhar a paisagem é extramente perigoso para quem não consegue se enquadrar.
Perceber que não é você quem anda, mas a esteira que se move, pode gerar tentativas de fuga, e rótulos que evidenciem o produto danificado, também chamado de : loucos, insanos, artistas, poetas, marginais, etc.
Fernando dizia que toda obra exige a imperfeição. Toda arte abre, amplia, provoca. Mas a perfeição esta hoje na promoção, anunciada, montada e criada, para que a esteira continue a rodar, para o lugar algum chegar.
Tudo nos é alheio, por nos ser alienado, terceirizado. Tudo nos toca, mas nada nos penetra, nada do que nos é invisível. Somos penhascos, cada um de nós, cercados de abismos, ligados por redes de linhas virtuais de impressões alheias. Somos todos olhados, sem ninguém nos ver. Somos nossos próprios espectadores, obcecados em aparecer tornamo-nos cegos pelo excesso de luz que quer se fazer brilhar.
A vida se torna uma esteira rolante que se move por inércia em um movimento contínuo e uniforme, envolta de uma paisagem que é a “cinematografia das horas representadas” e tudo que nos aproxima da paisagem, nos afasta da produção em série de seres enlatados.
Por isso, olhar a paisagem é extramente perigoso para quem não consegue se enquadrar.
Perceber que não é você quem anda, mas a esteira que se move, pode gerar tentativas de fuga, e rótulos que evidenciem o produto danificado, também chamado de : loucos, insanos, artistas, poetas, marginais, etc.
Fernando dizia que toda obra exige a imperfeição. Toda arte abre, amplia, provoca. Mas a perfeição esta hoje na promoção, anunciada, montada e criada, para que a esteira continue a rodar, para o lugar algum chegar.
Tudo nos é alheio, por nos ser alienado, terceirizado. Tudo nos toca, mas nada nos penetra, nada do que nos é invisível. Somos penhascos, cada um de nós, cercados de abismos, ligados por redes de linhas virtuais de impressões alheias. Somos todos olhados, sem ninguém nos ver. Somos nossos próprios espectadores, obcecados em aparecer tornamo-nos cegos pelo excesso de luz que quer se fazer brilhar.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Ensaio pela paz
Depois de genocídios, guerras, atentados e desigualdades, chegou a hora de dizer uma basta para a violência e sim para a paz, que na verdade, todos anseiam.
A fotografia tem a incrível capacidade de congelar o instante, eternizar o tempo e o espaço, e assim despertar a nossa atenção para o que poderia ficar despercebido, e por isso é um instrumento de mudança.
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